Capa
Reescrever a Juventude, aquela e agora


Editorial
Editorial
M. Tiago Paixão

Ensaio [chat]
Jóvenes: Ponerles Cara
Javier Rodríguez Casado

Humpty-Dumpty
[apresentando este] Reescrever a Juventude
Hugo Milhanas Machado
Pisar o Risco
Pedro Serra
Melibea Wristes Back
Rebeca Hernández
Comunismo
Valete
Recuperar Ema
Henrique Manuel Bento Fialho
(A Fechar e a Ver) A Infância a Voltar
Hugo Maia (Fonzie)

Lugar da Mancha [prosa]
Dois Sorrisos
Luís Fernandes
Teuton XXIV
Luís Fernandes
O Lago
Luís Fernandes
Breves Narrativas – O Escritor no Plural
Tiago Falcoeiras

Tiago Falcoeiras
Sala de Espera
Pedro Relógio Fernandes
Lázaro
Rui Alberto

Post Scriptum [ensaio]
A Ninfita Americana, ou Reler Lolita
Ana Cláudia Santos
O Luxo e o Lixo – Leitura de Página Órfã, de Régis Bonvicini
Paulo José Miranda
Esboço de um Novo Caminho para o Mito do Herói
Maria do Rosário Monteiro

Syllepsis [poesia]
Prelúdio
David Lopes
Orfeu
Luís Quintais
«No teu rosto jovem»
Sara Campino
«A juventude»
Rui Zink

Photographica [fotografia]
Sem título
Andrea Leyerer

Câmara [crítica]
Quando a Criança Era Criança
Emília Pinto de Almeida

EDITORIAL


Un enfant entre sans frapper.
monte sur votre bureau
vous envoie une rafale
à bout portant
foudre préméditée
sans sommation
aucune

Tahar Ben Jelloun

«Adrenalina» diz o Hugo Maia depois do Valete ter escrito qualquer coisa como: «quero cada vez mais fugir dos rótulos, e só me acomodar na «secção» dos Humanistas, mas sempre sem o desconforto do aprisionamento ideológico.» Porquê chamar estas palavras para aqui? Porquê convocá-las a esta introdução à reescrita de uma juventude?
A juventude «é tão atraente, a juventude», mais, «urge (...) deixar a juventude manifestar a sua provocadora feminilidade», escreve Henrique Manuel Bento Fialho.
A distância a que me encontro dos meus companheiros coloca-me numa posição de privilégio, aquela que tantas vezes referi em editoriais anteriores, para poder ler esta revista, para poder escrever para ela nesta introdução à leitura destas páginas.
A escolha das palavras de Tahar Ben Jelloun, escritor por quem me apaixonei recentemente, não é acidental – servem de porta de entrada à leitura desta revista, uma porta de entrada possível que proponho. O objectivo: provocar a tal rajada de vento, provocar um certo desconforto positivo. O objectivo: entrar sem bater, como a criança no poema.
Comecei a escrever este breve editorial após terminar um poema que
conclui assim:

e a fotografi a perfeita nem precisa de edição ela
sorri sem recortes eu pergunto-lhe se não está
cansado ele caminha entre o passado e o futuro, sempre
numa direcção, bem defi nidos por artigos que assim o
determinam e será essa a sua resposta

Colocar aqui estas palavras é relevante. Uma espécie de provocação, também elas entram de rompante por este texto e já fazem parte dele. São se calhar uma janela por onde se pode entrar, se vos apetecer saltar para dentro desta revista.
Reescrever a juventude! Provocar!
Na nota de apresentação da secção Humpty Dumpty, que dá título a este quarto volume da Callema, o meu amigo Hugo Milhanas Machado diz-me, diz-nos que «vimos para a Callema 04 muito descalços», eu acrescento: muito sem luvas também. Este número 04 é diferente e não precisava de o dizer aqui.
«Reescrever a juventude – aquela e agora» é uma proposta ambiciosa e por isso jovem (ou pretensiosa?) e com vontade.
Abordar este tema, fazê-lo desta maneira – difícil, terrível. A criança, a ninfita, o herói, o escritor, o poema... tudo isto nas páginas desta jovem Callema que continua a entrar de rompante. Tudo isto sempre a «pisar o risco», como o texto do Pedro Serra. Tudo isto e «Junk-food», último verso do poema de Rui Zink. E roubo uma frase à Rebeca Hernández para poder acabar isto: «El texto va a comenzar.»

Paris, 29 de Março de 2008

M. TIAGO PAIXãO

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