Capa
Da noção de poema às coisas mais simples
Editorial
Editorial
M. Tiago Paixão
Ensaio [texto-dramático]
A Calema, o Solilóquio
Muriel de Walle Gomes
Humpty-Dumpty [reportagem]
Da Noção de Poema às Coisas Mais Simples
Elisabete Marques
Colheita
Nuno Júdice
Uma Poética no Sotão
Nuno Júdice
Acordar
Nuno Júdice
Lugar da Mancha [prosa]
Os Três Gigantes
Tiago Falcoeiras
Calema
Ana Catarina Boto
Elohim
Luís Fernandes
Os Olhos Vistos
Ana Claudia Santos
O.
João Silvera
Por Nosotros à Nossa
Rebeca Hernández
Post Scriptum [ensaio]
Botânica, Farmácia e a Natureza
Ana Almeida
A Imagem como Evidenciação do Vazio
Emília Pinto de Almeida
«Clepsydra» – Editar um livro perdido
Ilídio J.B. Vasco
Syllepsis [poesia]
Da Boca
Elisabete Marques
El Zorro y La Ardilla
Lara Nuñez
asso por dentro um pedaço...
id
bola de carvão de carne rolante...
id
posso-me cegar às claras...
id
Vieste para a floresta carregada de dedos...
Catarina Nunes de Almeida
Quando deitados somos...
Catarina Nunes de Almeida
Neste quarto o céu dura tanto tempo...
Catarina Nunes de Almeida
Massada
Rui Díaz Correira
Daifa
Rui Díaz Correira
Na Pele o Poema
Luisa Laureana
Paisagem
Luisa Laureana
Diálogos Verticais
Rui Alberto
Testamento de António Gancho
Rui Alberto
Da Mulher Ombros de Água
Hugo Milhanas Machado
Photographica [fotografia]
ma femme s’appelle détail
Sophia Pereira
Câmara [crítica]
Da Arte à Sua Expressão
Maria Rocha
A Imagem na Antropologia
Tiago de Oliveira
Satyr [texto humorístico]
Kafk a Grossa
Dulce Castro
Kafk a Grossa
F.
Contra-Capa
Neófito
Mário Cesariny
«Nunca sabemos se são as nuvens que encenam o nosso devaneio, ou se são elas que nos sonham», escreve Eduardo Lourenço, em 1988, num artigo intitulado: Sobre a Inconsistência, que serve de prefácio ao livro Autografias, poemas de Ramos Rosa sobre aguarelas de Carlos Moura. A razão desta referência é simples – também esta Callema é, ou quer ser (será?) devaneio – delírio e sonho.
Delírio no sentido de desvio, um desvio em relação à norma, uma norma que nos conduz a um tipo de ditadura, que muitos chamam realidade, da qual nem Abril nos livrou: a ditadura da banalidade. Neste sentido Callema é, ou quer ser (será?) delírio. Uma revista literária que não é uma simples mostra ou montra de livros, que não tem críticas com estrelinhas ou pontuações e críticos que dão palmadinhas nas costas – isto é um delírio. É também um sonho, mas um sonho que não sendo fi cção (existe, está na mão do leitor) vive da ficção, ou melhor, da coisa imaginária a que o artista chamará, com razão – realidade.
Parte deste devaneio (ou: objecto artístico) é a reprodução do desenho de Mário Cesariny, Neófito, gentilmente cedido por Bernardo Pinto de Almeida.
Publicamo-lo agora em jeito de homenagem com certeza de que o próprio artista preferiria que o seu trabalho fosse visto em vez de dissecado. Mário de Cesariny: Neófito. Não há morte.
O título deste número não poderia ser melhor. Da noção de poema às coisas mais simples, é também o título da entrevista a Nuno Júdice, a quem agradecemos a disponibilidade e a amabilidade pela cedência de três poemas para publicação.
Este número de Callema conta ainda com uma nova secção: Photographica. Um espaço para a fotografia, para fotógrafos.
Feitas estas referências escuso-me a falar do resto da revista, que as faça o leitor quando falar sobre o que leu com os seus amigos, se os tiver.
«As palavras são fáceis, / os sentidos são óbvios. E é por isso / que ando, no meio dele, à procura de / coisas novas; e ao chegar ao fi m, / vejo um princípio, e sei que tudo se volta / a colar, como se nada aqui faltasse” diz-nos o fi nal do poema Uma Poética no Sótão. Talvez esta seja uma defi nição de Callema, desta Callema – este conjunto de colagens, de palavras, de imagens, de sentidos (ou devaneio?), ou talvez esta seja uma definição de arte e este Editorial tenha falado sobre isso.
(A resposta é sua.)